A conta acima mostra o que a escala manual custa. Esta parte mostra o outro lado: quantos profissionais a norma exige que estejam nela. As duas se encontram no mesmo lugar — o quadro dimensionado só vale se a escala publicada o cumprir todo dia, inclusive quando alguém falta.
Abaixo está a equação do Parecer Normativo nº 1/2024/COFEN escrita por extenso, um exemplo resolvido com números e os três exercícios oficiais para você conferir a sua própria conta.
Por que o Parecer, e não a Resolução? A Resolução COFEN nº 743/2024 tem dois artigos: revoga a 543/2017 e entra em vigor. Os parâmetros do cálculo estão no Parecer Normativo nº 1/2024/COFEN, aprovado com força normativa e apontado pelo próprio COFEN como o texto que regula a matéria.
1.Os parâmetros: horas por paciente e mínimo de enfermeiros
Tudo parte da classificação de cada paciente por grau de dependência. Cada tipo de cuidado tem duas constantes: as horas de enfermagem que o paciente consome em 24 horas e o percentual mínimo de enfermeiros na equipe.
| Tipo de cuidado | Horas de enfermagem por paciente / 24 h | Mínimo de enfermeiros na equipe |
|---|---|---|
| Cuidado mínimo (PCM) | 4 horas | 33% |
| Cuidado intermediário (PCI) | 6 horas | 33% |
| Alta dependência (PCAD) | 10 horas | 36% |
| Semi-intensivo (PCSI) | 10 horas | 42% |
| Intensivo (PCIt) | 18 horas | 52% |
O restante do quadro são técnicos e auxiliares de enfermagem. Some a isso o Índice de Segurança Técnica (IST), de no mínimo 15% — 8,3% referentes a férias e 6,7% a ausências não previstas.
2.A equação, escrita por extenso
A equação oficial do Parecer, com os parâmetros da tabela já aplicados:
QP = [ (PCM × 4) + (PCI × 6) + (PCAD × 10)
+ (PCSI × 10) + (PCIt × 18) ] × DS × (1 + IST) ÷ CHS- QP — Quadro de Pessoal: o número mínimo de profissionais de enfermagem da unidade.
- PCM, PCI, PCAD, PCSI, PCIt — pacientes de cada tipo de cuidado, já multiplicados pela taxa de ocupação.
- A soma entre colchetes é o Total de Horas de Enfermagem (THE) da unidade em 24 horas.
- DS — dias de funcionamento na semana. Unidade de internação: 7.
- IST — Índice de Segurança Técnica, mínimo de 15%, que entra como fator: (1 + 0,15) = 1,15.
- CHS — carga horária semanal praticada: 30, 36, 40 ou 44 horas, conforme a cláusula contratual adotada.
3.O cálculo, passo a passo
- Classifique os pacientes por tipo de cuidado. Pelo Sistema de Classificação de Pacientes adotado no serviço, cada leito entra em uma das cinco categorias do Parecer. Multiplique os leitos de cada categoria pela taxa de ocupação da unidade para chegar ao número de pacientes.
pacientes do tipo = leitos do tipo × taxa de ocupação - Converta pacientes em horas de enfermagem (THE). Multiplique os pacientes de cada tipo pelas horas de enfermagem que aquele tipo exige em 24 horas e some tudo. O resultado é o Total de Horas de Enfermagem da unidade em 24 horas.
THE = (PCM × 4) + (PCI × 6) + (PCAD × 10) + (PCSI × 10) + (PCIt × 18) - Multiplique pelos dias de funcionamento na semana (DS). A unidade de internação funciona todos os dias, então DS = 7. É o que converte horas de um dia em horas de uma semana — a mesma base da carga horária semanal do passo 5.
horas na semana = THE × DS - Aplique o Índice de Segurança Técnica (IST). O IST é de no mínimo 15% e entra como fator de ajuste: multiplique por 1,15. Ele cobre as ausências inevitáveis — 8,3% referentes a férias e 6,7% a ausências não previstas.
com IST = horas na semana × (1 + 0,15) - Divida pela carga horária semanal (CHS). Use a jornada semanal praticada no serviço — 30, 36, 40 ou 44 horas, conforme a cláusula contratual adotada. É esse divisor que transforma horas em gente e o que mais muda o resultado final.
QP = THE × DS × (1 + IST) / CHS - Arredonde o quadro para o inteiro mais próximo. O Anexo II do Parecer arredonda o Quadro de Pessoal para o inteiro mais próximo — 82,5 vira 83 e 20,12 vira 20. Só depois de arredondar é que se divide a equipe por categoria.
QP arredondado = inteiro mais próximo de QP - Separe enfermeiros e técnicos pelo tipo de cuidado dominante. Numa unidade com tipos misturados, o percentual de enfermeiros é o do tipo cujo grupo de pacientes soma a maior carga de trabalho em horas — não o mais grave nem o mais numeroso. O restante do quadro são técnicos e auxiliares de enfermagem.
enfermeiros = QP × % do tipo dominante · técnicos e auxiliares = QP − enfermeiros
4.Exemplo resolvido: unidade de 30 leitos
Uma unidade de internação com 30 leitos — 12 deles de cuidado intermediário —, taxa de ocupação de 90% e jornada de 36 horas semanais.
Passos 1 e 2 — dos leitos às horas. Cada linha é leitos × ocupação = pacientes, e pacientes × horas do tipo:
| Tipo de cuidado | Leitos | Pacientes | Horas / 24 h | Horas de enfermagem |
|---|---|---|---|---|
| Cuidado mínimo | 16 | 14,4 | 4 h | 57,6 h |
| Cuidado intermediário | 12 | 10,8 | 6 h | 64,8 h |
| Alta dependência | 2 | 1,8 | 10 h | 18,0 h |
| THE — total de horas de enfermagem em 24 h | 140,4 h | |||
Passos 3 a 6 — das horas ao quadro. As 140,4 horas viram uma semana (× 7), ganham o IST (× 1,15) e são divididas pela jornada de 36 horas:
QP = 140,4 × 7 × 1,15 ÷ 36 = 31,40 → 31 profissionaisPasso 7 — a divisão da equipe. Repare que a unidade tem mais leitos de cuidado mínimo (16) do que de intermediário (12), mas quem soma mais horas é o intermediário (64,8 h contra 57,6 h). O tipo dominante é o cuidado intermediário, e é o percentual dele que vale: 33%.
enfermeiros = 31 × 0,33 = 10,23 → 10 enfermeiros
técnicos e auxiliares = 31 − 10 = 21Resultado: 31 profissionais — 10 enfermeiros e 21 técnicos ou auxiliares para a unidade. Sobre o quadro geral da instituição ainda incidem no mínimo 5% de educação permanente e rotatividade.
Duas transparências. O piso de “um enfermeiro em cada turno”, que o Parecer exige no cuidado mínimo e no intermediário, não vem acompanhado de fórmula na norma — esse número precisa ser fechado com o Responsável Técnico. E este método vale para unidades de internação: centro cirúrgico, CME, hemodiálise, saúde mental e atenção primária têm métodos próprios no Parecer.
5.Confira a sua conta nos exercícios oficiais
O Anexo II do Parecer traz três exercícios resolvidos pelo próprio COFEN. Se você refizer o cálculo desta página neles e chegar a outros números, o erro está no método — não na norma.
| Exercício do Anexo II | THE | Quadro | Enfermeiros | Técnicos / auxiliares |
|---|---|---|---|---|
| Exercício 1 — Clínica médica 20 PCM, 10 PCI, 7 PCAD e 3 PCSI · ocupação 80% · CHS 36 h | 192,0 h | 43 | 14 | 29 |
| Exercício 2 — UTI de 15 leitos 8 PCSI e 7 PCIt · ocupação 100% · CHS 30 h | 206,0 h | 55 | 29 | 26 |
| Exercício 3 — Pediatria 20 PCI e 6 PCSI · ocupação 75% · CHS 40 h | 135,0 h | 27 | 9 | 18 |
6.Perguntas frequentes
O que mudou da Resolução COFEN nº 543/2017 para a 743/2024?
A Resolução COFEN nº 743/2024 tem dois artigos: revoga a 543/2017 e entra em vigor. Ela não traz parâmetro nenhum. Quem define horas por paciente, percentual de enfermeiros e o Índice de Segurança Técnica é o Parecer Normativo nº 1/2024/COFEN, aprovado com força normativa e indicado pelo próprio COFEN como o texto que regula a matéria. Na prática: quem procura “a fórmula da 743” precisa abrir o Parecer 1/2024. A lógica central não mudou — classificar por complexidade, converter em horas, aplicar IST e compor a equipe com percentual mínimo de enfermeiros.
Onde exatamente entra o IST de 15% na conta?
Como fator de multiplicação, antes da divisão pela carga horária: o total de horas da semana é multiplicado por 1,15. O Índice de Segurança Técnica é de no mínimo 15%, dos quais 8,3% correspondem a férias e 6,7% a ausências não previstas — faltas, atestados e licenças. A imagem da equação no Parecer escreve “× IST”, mas a legenda define o termo como fator de ajuste, “IST de 15% → 1,15”, e é assim que os três exercícios do Anexo II resolvem. Dimensionar sem IST produz um quadro que só fecha quando ninguém falta.
Qual a diferença entre cuidado mínimo, intermediário e semi-intensivo?
É o grau de dependência do paciente em relação à equipe de enfermagem, e ele muda duas coisas na conta. As horas de enfermagem por paciente em 24 horas: 4 horas no cuidado mínimo, 6 no intermediário, 10 na alta dependência, 10 no semi-intensivo e 18 no intensivo. E o percentual mínimo de enfermeiros na equipe, que cresce com a complexidade: 33% no mínimo e no intermediário, 36% na alta dependência, 42% no semi-intensivo e 52% no intensivo. A classificação de cada paciente não é escolha do gestor: sai do Sistema de Classificação de Pacientes aplicado pelo enfermeiro, e é ela que o COREN confere numa fiscalização.
O resultado deu fracionado. Arredondo para cima ou para baixo?
Para o inteiro mais próximo — é o que o Anexo II do Parecer faz nos seus próprios exercícios: 82,5 vira 83 e 20,12 vira 20. E a ordem importa: arredonde primeiro o Quadro de Pessoal e só depois aplique o percentual de enfermeiros sobre o número já arredondado. Inverter a ordem muda a divisão da equipe. Vale lembrar que o número obtido é o mínimo exigido: reduzir o quadro abaixo dele é déficit de dimensionamento, não economia.
Qual percentual de enfermeiros usar quando a unidade tem tipos de cuidado misturados?
O do tipo de cuidado cujo grupo de pacientes soma a maior carga de trabalho em horas — não o tipo mais grave, nem o com mais leitos. Some as horas de cada tipo separadamente e compare. No exemplo desta página, a unidade tem 16 leitos de cuidado mínimo contra 12 de intermediário, mas o intermediário soma 64,8 horas contra 57,6 do mínimo: o percentual aplicado é o do intermediário. O mesmo critério aparece resolvido no exercício 2 do Anexo II.
A carga horária semanal muda muito o resultado?
Muda mais do que qualquer outro campo, porque é o divisor da equação. A mesma unidade do exemplo desta página — 140,4 horas de enfermagem em 24 horas — exige 38 profissionais com jornada de 30 horas, 31 com 36 horas, 28 com 40 horas e 26 com 44 horas. Use a jornada efetivamente praticada, conforme a cláusula contratual adotada no serviço; trocar a jornada do cálculo pela desejada é a forma mais comum de um dimensionamento não sobreviver à conferência.
Depois de calcular cada unidade, falta somar alguma coisa?
Sim, dois acréscimos. Sobre o quadro geral de profissionais da instituição, some no mínimo 5% para cobrir educação permanente e rotatividade. E, no setor cujo quadro tenha 30% ou mais de profissionais com limitação ou restrição de atividade, acrescente 10% ao quadro daquele setor. Há ainda o piso de pelo menos um enfermeiro por turno no cuidado mínimo e intermediário — o Parecer exige, mas não publica fórmula para ele, então esse número precisa ser fechado com o Responsável Técnico.
Essa conta vale para qualquer setor do serviço?
Não. O método desta página é o das unidades de internação, baseado no Sistema de Classificação de Pacientes. Centro cirúrgico, central de material esterilizado, diagnóstico por imagem, hemodiálise, oncologia ambulatorial, saúde mental e atenção primária têm métodos próprios no Parecer, com outras variáveis. Aplicar a equação de internação nesses setores dá um número que não se sustenta numa fiscalização.
7.Do quadro dimensionado à escala do dia
Os passos acima são feitos uma vez por período, pelo Responsável Técnico. O difícil vem depois: manter a escala publicada dentro do quadro dimensionado todo dia — inclusive na troca de plantão às 21h40, na falta de véspera de feriado e na cobertura que ninguém registrou. É aí que a maioria das operações perde o dimensionamento, porque ele vive num PDF e a escala vive numa planilha que não conhece a norma.
Para entender o que a norma exige além do cálculo — e de quem é a responsabilidade quando o quadro não fecha —, veja o artigo completo sobre dimensionamento pela Resolução COFEN nº 743/2024.
Quer que a escala respeite o quadro sozinha?
A Teia monta a escala do período em minutos e valida descanso entre plantões, cobertura mínima e teto de horas a cada movimento — antes de a escala ir ao ar, não depois da fiscalização.
Conhecer a Gestão Inteligente de EscalaConteúdo elaborado com base na Resolução COFEN nº 743/2024 e no Parecer Normativo nº 1/2024/COFEN. Material de apoio — não substitui a análise do enfermeiro Responsável Técnico nem a consulta à íntegra das normas no site do COFEN.
